Mais um para a aula de contos. Dessa vez eu não podia usar:
- que
- não
- é
- se
- por
- nenhuma flexão do verbo “estar”
Ou seja, odiei escrever isso… ¬¬
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Quântico
Após diversas e enfadonhas experiências, físicos e cientistas em geral chegaram a uma conclusão curiosa: na realidade nada encosta em nada, todas as sensações de tato são semi-ilusórias, os objetos simplesmente não conseguem atingir um ao outro de fato. Isso acontece, pois no nível quântico, as cargas opostas dos elétrons de cada átomo dos diferentes objetos tendem a colidir e criarem uma distância entre si. Nós ignoramos essa distância. Entretanto, os mesmo cientistas e físicos, após mais pesquisas, chegaram a mais outra conclusão ainda mais perturbadora: caso dependêssemos apenas desses movimentos dos elétrons as coisas simplesmente transpassariam tudo, ou seja, nunca invejaríamos os fantasmas e seu dom de atravessar paredes.
Após mais algumas experiências, maçãs caídas e noites mal-dormidas, os netos dos físicos e cientistas descobriram o campo magnético, o estraga prazeres dos voyeurs, como sendo a única barreira “impedidora” na qual tudo ricocheteia.
Muitos falam sobre os terrores e horrores da guerra, ainda mais das Guerras Mundiais, mesmo porque elas foram mundiais, ou seja, um bocado de pessoas participou dos combates. A 2ª Guerra foi ainda mais divulgada, devemos muito disso a um moço enfezado, com bigode escovinha, cabelos emplastrados e uma fixação com pessoas louras de olhos azuis. De qualquer forma, pouco foi falado sobre os breves momentos de descontração nas trincheiras. Existiam poucos momentos desse tipo, de verdade, mas ignorá-los seria injusto.
Fritz era um solitário em meio às trincheiras. Na realidade, Fritz era amigo de diversos soldados de seu esquadrão, mas ainda assim era solitário. Sua família morreu no bombardeio de Dresden. Na ocasião ele estava em Stalingrado, tentando desviar de balas e fazendo de tudo para ser desnecessário disparar contra o inimigo. Matar nunca foi da natureza de Fritz e após dois anos de guerra ele tinha ficado muito bom nisso. Chegou a receber uma menção honrosa graças a serviços desprestados ao Terceiro Reich. Uma condecoração muito mal vista entre seus superiores.
Era 31 de dezembro de 1943, véspera de Ano Novo e Fritz achava um ótimo dia para um pouco de descontração. Há duas semanas ele estava entrincheirado com seu esquadrão num descampado na França, há uma semana nenhuma bala era disparada pelo inimigo. A maioria dos colegas de infantaria acreditava na debandada dos opositores, mas tinham recebido ordens. No final, era melhor o tédio à morte.
Às 23h55 Fritz teve a idéia de cantar, tudo sempre começa com uma música. Murmurou um pouco do hino Horst-Wessel-Lied, pois parecia o mais sensato para a situação, mas com poucos adeptos, o soldado parou. Às 23h59 alguém conseguiu um gramofone e começou a tocar Basin Street Blues, de Louis Armstrong. Em instantes todo o batalhão estava assobiando ou batucando a música. Num ímpeto de animação, Fritz levantou da trincheira, puxou um colega junto de si e começou a dançar. Os colegas sorriam e batucavam cada vez mais alto.
O universo pode ser considerado um lugar engraçado para viver. Entretanto, muitas de suas piadas são entendias com um atraso terrível, o restante simplesmente passa despercebida. Os inimigos de Fritz também faziam sua folia do outro lado do campo de batalha, mas eles escolheram um repertório mais animado, um comandante tocava polka a plenos pulmões com seu trompete. No afã de um ré maior, um sargento começou a disparar sua pistola Luger para todos os lados, comemorando a música e a virada de ano.
Caso o campo magnético fosse apenas teórico, a bala do Luger do sargento animado teria transpassado tranquilamente o baço de Fritz sem causar qualquer dano à sua saúde, e o alemão teria continuado com seu balé enlameado, animando seus colegas. Infelizmente, neste caso, o campo magnético existe.
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Fez milagre com o primeiro parágrafo!
Só reproduzindo minhas belas palavras: você narra a morte de uma maneira sublime, superior, como se falasse sobre uma equação..
Porque quando eu quero, eu falo bonito =D
Nossa, não sei porque você odiou escrever isso, ficou muito, mas muito bom mesmo!
Meu, quero escrever que nem você quando eu crescer, viu?
Te amo.
opa. acho que sei qual a influência usada aí!
abraços!
“…os objetos simplesmente NÃO conseguem…”
Desculpa, mas você pisou na bola…