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Vício

Você vai esbarrando com coisas, pessoas e artes durante a vida. No meu caso, que possuo um “hipereguismo” e descrença generalizada, são poucos que de fato marcam. Acontece.

Móveis Coloniais de Acajú é uma dessas coisas…

E sim, não há inspiração pra porra nenhuma. Só espero conseguir escrever o conto dessa semana…

P.s: depois de velho eu tô virando USPiano… quem te viu e quem te vê, Caio, Caraio.

E eu comecei o segundo módulo do curso de literatura. Para quem achou que não chegaria ao final da primeira aula, estou indo bem.

Ontem teve aula, única hora que eu tenho escrito algo. Saiu isso:

“O tempo é o contador de histórias mais disléxico que existe”.

Às vezes eu gosto do que eu escrevo.

P.s: e também gravei o primeiro programa do Arena News. Continuo odiando câmeras.

[windows media player: third eye blind - the background]

Desespero

A diferença entre desespero e a alegria desmedida depende de onde o observador está.

Onde você está?

The Last Time I Saw You

Reporti

Alguns sabem e outros ignoram peremptoriamente, mas eu sou um jornalista. Ok, eu não consigo lidar muito bem com isso, e mal pronuncio tal “título” em público.

De qualquer forma, eu gosto do que eu faço (na maior parte do tempo), afinal, jogar videogame para viver é algo um tanto quanto improvável de ser ruim.

Porém, eu odeio câmeras…

… realmente odeio.

[windows media player: the rapture - whoa! alright yeah... uh huh]

Lifting

Então, um visitante minimamente assíduo perceberia que eu mudei o layout de minha humilde tenda. Por mais que essa troca tenha sido aleatória e completamente unilateral, gostaria de saber se você, caro leitor passageiro, gostou da nova.

Obviamente que a decisão de troca é minha, porém, o que seria das novidades sem as críticas?

[windows media player: flogging molly - the wrong company]

Abismal

Ela acordou com um gosto estranho na boca. Rançoso? Não. Algo mais parecido com cheiro de geladeira, um leve toque de desespero e uma pitada de rapidez. Algo metálico adocicado também estava ali. Era assim que ela enxergava a vida: ligeira e meio estragada. Guardada embaixo da língua. Algo que só aparece depois de algumas doses de tequila barata vendida no bar do Tonhão, o Desdentado.

Quando sentou percebeu que estava no sofá de casa, com um pé do salto calçado e o outro sumido. Deve ter ficado na rua. Ela não lembrava muito da noite passada, era um monte de imagens desconexas, gargalhadas albarroadas, alegria escondida no fundo de cada copo. Ela procurou em todos.

Foi até o banheiro. Luz amarelada, molhadeza por todo canto. Ela queria água e alguma bala para disfarçar a língua tresloucada de álcool.

Há muito tempo que ela não vivia. Desmorria o dia inteiro para poder dar um passo mais perto da gadanha. Como foi que tudo acabou naquilo? No engavetamento diário das não-horas, dos não-minutos? Ela estudou em bons colégios, recebeu todo o amor que sua família achava burocraticamente correto. Medido na ampola dos sorrisos falsos e abraços frouxos que só pais bem-apessoados sabem dar.

Olhou-se no espelho e viu que se transformou no rascunho do que poderia ser algo lustroso. Lavou o rosto e encheu a boca d’água. Gargarejou e cuspiu. Sangue. Ela sorriu uma melancolia comedida. Algo duro flutuou e bateu no céu da boca. Um pedaço de dente caiu na pia. Lá se vão os milhares gastados nos dentistas da cidade, que sempre elogiaram seu sorriso.

Nesses momentos pós-etílicos ela sempre pensava no abismo. Todo mundo sempre recitou a escuridão da profundidade. Para ela o abismo sempre foi duma brancura ensurdecedora, dum silêncio cheiroso. Piscou. Teve um vislumbre perfeito. Parou. Empalideceu e fechou a porta do banheiro. O rangido a tirou do foco por alguns segundos. Precisava chamar alguém para concertar aquela joça, precisava colocar uma maçaneta. Voltou-se para o espelho e não reconheceu. Uma mulher ruiva a olhava de volta, a condenava. Escorria um filete de sangue pelo canto direito da boca, o rosto estava inchado de tanta bebida. Os olhos eram azuis e denunciadores. O reflexo queria vingança, queria uma vendetta sanguinolenta e dolorosa. Piscou. A imagem sumiu. Mais um vislumbre de algo…

Ela começou a tremer. Às vezes, quando você olha o abismo, ele olha de volta para você. Alguém já tinha lhe falado aquilo, ou lera em algum lugar. Piscou. Agora quase caiu no chão gelado. Um coro de mil vozes alfinetou seus tímpanos. Gritos, choros, lamentos e risadas. Ela queria sair do banheiro, mas a falta de maçaneta não ajudava. Piscou. Só uma voz a seguiu de volta para a superfície da sanidade. “Sim!”. A cabeça ficou pesada. Ela arranhou a porta e quebrou duas unhas enquanto batia na parede ao lado e escorregava para longe do céu. Piscou. “Sim!”, mais alto em sua cabeça. Caiu e começou a tremer. Sentiu um frio calorento insuportável, queria um cobertor de gelo, um ventilador de fogo.

Fechou os olhos.

Ali estava o abismo, em frente aos seus olhos fechados, bailando para eles. Mas como ela podia saber? O que aconteceu com o mundo à sua volta? Ela sentia o chão gelado, mas de todo o resto nada restava. Ela não conseguia abrir os olhos e nem se mexer, com medo de confirmar que tudo havia sumido, que somente ela e a geladura do solo tinham sobrado. Ficou parada, imóvel, somente respirava, maravilhando-se com cada golfada de ar que tomava, pois para ela nem o ar seria capaz de resistir à atração do infinito, seria sugado para dentro dele também, permanecendo nos pulmões da escuridão. E assim ficou.

Ela escutou os gritos da zeladora do prédio, mas achava que era o abismo tentando enganá-la. O abismo a queria para sua consorte, queria amá-la. Ela não se deixaria levar. A família a encheu de abraços e beijos, ela os negou. A família começou a odiá-la por não falar e não abrir os olhos. Ela não se deixaria enganar pelo infinito sedutor. Ela não viu quando os médicos a levaram para um hospício. Ela recusou os tapas de sua colega de quarto que berrava querendo saber se estava bela para o baile de Alexandre, O Grande. Ela negou todos os alimentos que lhe ofereceram, o infinito teve de injetá-los nela. Ela não acreditou em cada enfermeiro que a penetrou, deslembrou as palavras que lhe falavam em seus ouvidos.

Ela só acreditava em uma coisa: no “Sim!” que uma voz ainda berrava de tempos em tempos dentro de sua mente. Mas ela ainda não sabia a pergunta certa para ser respondida pelo “Sim!”. A chamaram pelo nome até seus entes o esquecerem. No hospício a chamavam de “A Desolhada”.

Anos, décadas passaram e ela também negou a morte. Riu-se da tentativa derradeira do abismo de toma-la. Não lhe daria este prazer nunca.

Ela infinitou-se à vida.

[windows media player: new young pony club - hiding on the starcase]

Abril = Senzala?

Olha, eu realmente sou um blogueiro (ugh!) anti-blogueiro, sinto pouca (ou nenhuma) afinidade por blogs jornalísticos e “hypados”. Não sei, nunca fui muito com a cara, só espero não estar mascarando uma inveja disfarçada de “não-fui-com-a-cara” no meu subconsciente.

De qualquer forma, dessa vez eu tive de dar ouvidos aos gritos ululantes de toda a “blogosfera” (argh! como eu odeio essa expressão!) sobre um assunto que, no início, parecia muito interessante: Abril chamando um grupo “seleto” de influências da comunidade virtual para formar um conglomerado sob o guarda-chuva da editora. Tudo lindo, todos cantando kumbaya em volta da fogueira de mãos dadas.

Mas aí começa a surgir os problemas, obviamente. O senhor Marcelo Träsel (do blog Martelada) fez o favor de divulgar a proposta da Abril (top-secret, James…). Para quem aceitar fazer parte deste time, a empresa promete workshops gratuitos (sem falar quem irá ministrá-los), promoções e “acesso prático a informação de primeira linha” (a Abril pararia de dar furos para a Veja e repassaria para os blogueiros (ugh!)? Eles teriam acessos ao leque de fontes da empresa? Vai saber…). Tudo em troca de: seus textos serão de propriedade da Abril, se você tem publicidade no seu blog esqueça-a e o layout, bem, “perdeu, playboy”.

Trocando em miúdos: se você ler com cuidado, sem o deslumbramento que deve acometer muitos por poderem fazer parte deste time de blogueiros, a Abril, linda (shiny! shiny!) e portentosa quer que você, caro blogueiro, trabalhe para ela de graça! Olha só que fofo! Tudo o que você escrever é dela, a merreca que você poderia estar ganhando com os anúncios no seu site vão para o saco e em troca você ganha um destaque esporádico no über-site da Abril.com.br (só eu e o Cardoso que nunca tínhamos entrado nessa birosca?).

Olha, meu blog não tem nada de jornalístico (apesar de eu ser um propagador dessa praga), não estou no hall dos hypados na rede, mas até mesmo EU me senti ofendido com essa proposta!

Eu tenho uma idéia melhor para a Abril: que tal ela me pagar para eu parar de divulgar esse ataque à moral e bons costumes blogueiros (argh!)? Nada que o salário do digníssimo Diogo Mainardi não cubra, cara Abril.

Beijo na bunda de vocês, queridos.

p.s: Cardoso já foi para lá, começo a pensar na possibilidade de seguir meu miguxo uni-lateral para lá!

p.s²: e não é que tem gente realmente considerando a proposta da Abril?!

[windows media player: rage against the machine - killing in the name of]

Ela

Toda noite é Ela quem me acompanha do ponto de ônibus até minha casa. Vem junto de minha sombra. A toma pela mão e seguem saltitantes pela calçada. Ela acorda comigo, tomamos café juntos, dificilmente a olhos nos olhos, mas ela entende e se mantém junto ao meu corpo. Ela sempre está ali.

No dia-a-dia Ela não dá sossego, se rasteja por cada palavra e suspiro. Sobe por entre as golfadas de ar e se estatela ao chão na minha frente, submissa, mas sempre de olhos aberto, admirando.

Ela não é má, só cumpre a função para qual foi designada. Ela gosta de sorrir, abraçar os outros e confortá-los, porém, dificilmente é compreendida. Nunca desiste, sempre tenta mostrar que há outros lados, outros ângulos para se olhar.

A primeira vez que a vi estava no velório do meu tio. Todos choravam, todos estavam tristes, menos eu e Ela. Não porque não temos coração, mas porque não enxergamos as coisas como os outros. De qualquer forma, eu me senti mal por não estar triste também. Confortei minha prima e me senti mal por não derramar lágrimas como ela. Ela e minha prima entenderam, ambas sorriram um “deixa prá lá” suave. Sempre pensei que essa secura lacrimal era falta de amadurecimento e vivência.

Fiquei um bom tempo sem olhá-la novamente, acho que Ela preferiu ficar empoleirada nos meus ombros até que eu a entendesse melhor.

Em uma guerra a vi em cada fotografia, cada letra e cada título que escrevi. Conversei horas com veteranos que me mostraram vários ângulos, diferentes cores. Machucou, mas Ela veio me consolar, me abraçou e me ninou. Falou de outras épocas e mudou de assunto. Começamos a perder a vergonha de um pelo outro.

Com o passar do tempo comecei a vê-La mais claramente. Às vezes aparecia de camiseta decotada, cabelo despenteado e batom muito preto. Seus olhos são lindos. Às vezes apenas via seu vulto por detrás do buraco de fechadura. Escutava o seu caminhar e seus risos cristalinos. Ela é definitivamente feliz.

Ela nunca se ofereceu para me levar para dar uma volta. Acho que é porque ainda não estou preparado, tenho coisas a fazer. Mas, pensando bem, nunca pedi claramente por esse passeio. Já nos abraçamos demoradamente, claro, mas nunca o tempo suficiente para eu me apaixonar por Ela. Ela me ama, sei disso porque Ela ama de verdade.

Fazia tempo que não a cumprimentava logo pela manhã. Fazia tempo que não andávamos de mãos dadas até minha casa. Fazia tempo que Ela não me colocava para dormir. Fazia tempo que não a olhava nos olhos.

E Ela tem olhos tão bonitos…

[windows media player: belle & sebastian - if she wants me]

Melodia

Sou contra ficar postando musiquinhas… Mas essa realmente merece:

Vanguart – The Last Time I Saw You

The 1st time I saw you
I did try hard to burn my eyes
Life was but a sad dream
I was but a sad breath
But you were something like sand
When sunlight hits the sea

The 2nd time I saw you
I was about to take the road
I asked would you wait for me
You said life ain’t a highway
Better if we’d been born
As siamese songbirds

The 3rd time I saw you
We went to the zoo
All steady hot beers, sorrowful monkeys
Big eyes laughing
Wish I had not held hands

The 4th time I saw you
It was like I was gonna die
I was waiting outside
You just had a new guy
Asked me why, I, I

Son, won’t you come along?
We have no time for another song
Won’t you sing along?
We have no sea, child

The 5th time I saw you
He was traveling abroad
And your eyes, they were not here
You just made new friends
While I tried to stop with cigarrettes

The 6th time I saw you
I was properly insane
For the whisky I had drunk
The drugs I’d taken
Gimme just one chance you will realise

The 7th time I saw you
You were married again
If I had just once kissed you
Things wouldn’t be the same
Surely the sky’d be different

The 8th time I saw you
I was strummin’ the guitar
& your ears were not for me
My ears were a-bleeding
The waiter was blind
Please someone blind my eyes

The last time I saw you
It was about six a.m.
You approached me in a strange car
Finally kissed me
Then did wave goodbye
Before you disappear

Sometimes I ache, babe
Or I ain’t hard enough to stand
But the days they just drown me
Coming back from work
Having sour breakfast
Seasick from your chest.

Zumbis

Levando em consideração que o ato de matar alguém é lhe retirar a vida, ou lhe conceber a morte, ou seja, lhe causar o oposto de sua condição física atual, bem, pode-se afirmar que para matar um zumbi, que tecnicamente está morto, apenas precisamos lhe ressuscitar…

Ou seja, para destruir um zumbi é aconselhável um desfibrilador, muita gaze, alguns antibióticos e um pouco de repouso. Uma aspirina C em caso de dores de cabeça (observar os gemidos guturais da criatura) e se a respiração da criatura não voltar, começar o procedimento de “ressuscitamento” através de massagem cardíaca, caso você não seja o Messias, se você for, desconsidere o texto e saia fazendo milagres por aí.

P.s: cuidado com as mordidas dos zumbis, seres humanos fisicamente vivos ainda possuem uma estranha alergia a mordidas no crânio que lhe arrancam parte do cérebro.

[windows media player: rob zombie - meet the creeper]

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